Vamos falar sobre Relacionamento abusivo?

 

Vale lembrar que além de não se limitarem a gêneros, não se limitam a relacionamentos amorosos, porém, as fases que no decorrer do mês postarei, referem-se a relacionamentos amorosos.
Lembrando que não é uma regra, mas baseado em estudos, acontece na maioria dos casos dessa forma. ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀

 

♥️O ESTÁGIO DA SEDUÇÃO E DA LUA DE MEL♥️

O início do relacionamento amoroso patológico é uma época crucial na dinâmica entre o casal. O abusador precisa “dar o tom” para seduzir a vítima para o relacionamento.
Por meio de uma série de perguntas que faz a vítima, descobre o que a mesma está buscando em um relacionamento. A vítima compartilha todas as suas esperanças e sonhos, sem se dar conta de que essas revelações seriam, mais cedo ou mais tarde, usadas contra ela, seja em forma de informações que ele usaria para se transformar na pessoa que elas desejam, ou, mais adiante no relacionamento, quando ele usaria as confissões que as vítimas fazem como armas emocionais contra elas. ⠀⠀ ⠀⠀

Os primeiros dias em que foram cortejadas e seduzidas pelo abusador, são os momentos mais estimulantes de que as vítimas recordam. Geralmente o descrevem como: agradável, engraçado, companhia divertida, encantador, sociável, meigo, sensível, charmoso etc.
A partir dessa lista de traços é fácil perceber por que as vítimas se apaixonam pelo abusador. ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀

Nesse estágio, o abusador é altamente lisonjeiro, efusivo com a bajulação e quase sufocante com sua atenção. Embora a vítima possa tender a se sentir perturbada com relação à exigência de vê-la 24 horas por dia, todos os dias da semana, a mesma se impressiona com quão generoso ele é com suas atenções ou romântico com os presentes.

O abusador finge um aparente apoio. Ele se concentra nos desejos da vítima relacionados com a carreira ou de se expandir nas artes ou na educação. Ele a incentiva a “encontrar a si mesma”, é uma forte razão pela qual a vítima fica chocada quando o parceiro transforma o apoio em uma sabotagem deliberada. Faz com que ela largue os estudos, seja demitida ou a faz se sentir culpada a ponto de desistir dos seus hobbies e sonhos.

Para impedir que a vítima possa refletir ou reagir aos sinais de alerta, o abusador induz relacionamentos em ritmo acelerado, um namoro com intensidade vertiginosa e usa técnicas de sufocação emocional chamadas de bombardeiro de amor. Ele logo quer ir morar com a vítima ou se casar, em geral em poucas semanas ou meses.

Isso para a vítima acaba indicando que o abusador está tão envolvido e comprometido quanto ela. Isso é um sinal de alerta. Geralmente o relacionamento acelerado há uma necessidade pro abusador que precisa ser satisfeita, um lugar para morar, uma parceira comercial ou uma parceira sexual. O relacionamento ter um ritmo rápido sempre fez parte dos planos dele.

Geralmente eles expõem seu lado ferido para mobilizar a empatia da vítima e deixá-la a se dedicar a curá-lo. Para fechar o estágio da sedução e lua de mel, o abusador utiliza suas melhores habilidades de ouvinte e de comunicação. Ele é respeitoso, incentiva a independência e os pontos fortes da vítima, e parece estar muito interessado em resolver os problemas junto com ela.

FASE INTERMEDIÁRIA (QUANDO A MÁSCARA ESTÁ CAINDO 💔)

Como é o relacionamento quando o casal entra na parte intermediária do tempo em que estão juntos? Nessa fase, o abusador: seduz o abusado com êxito e o atrai para o relacionamento por meio do emprego excessivo de atenção, adulação, intensidade e espelhamento dos valores e interesses dele. Caracteriza-se como útil e indispensável. Provavelmente isola o abusado da família e amigos. Costuma fazer muito sexo, o que leva a formar um profundo vínculo e apego. Exibe seu lado estimulante e divertido.

Embora o abusador tenha se esforçado arduamente para conquistar no estágio da sedução e cortejar durante a fase da lua de mel, no estágio intermediário do relacionamento ele começará a “iscar e trocar”, para ver o quanto o abusado está apegado, tolerante e interessado. A dinâmica da parte intermediária do relacionamento pode começar em alguns meses ou quando o relacionamento já dura vinte anos ou mais. O abusado pode levar anos, ou até mesmo décadas, para chegar ao ponto intermediário do relacionamento.

Independente de quanto atinge o ponto intermediário, quando a máscara cai, o abusado compreende que não está com a pessoa que imaginava estar. É por isso que a dinâmica da fase intermediária do relacionamento é marcada pelo sofrimento.

O abusado começa a questionar as próprias experiências, convicções e pensamentos. Quanto mais o abusador insiste em afirmar que o relacionamento deles é normal, e não os outros que o abusado teve, mais ele começa a acreditar que está “louco” ou que há algo errado com ele mesmo, levando-o a não entender os conceitos básicos do que é um relacionamento. Uma vez que o abusador o convence de que o relacionamento deles é normal, ele pode começar a mudar a realidade “errada” do abusado.

Quanto mais se esforça, mais fracassa. Tudo o que consegue se lembrar é que, até esse ponto, ele viveu uma extraordinária fase inicial de namoro, em que o charmoso, estimulante e atencioso abusador o idealizou e idolatrou, e se caracterizou como um excelente partido e parceiro.

A última coisa que o abusado esperava era que seu conto de fadas desse essa reviravolta e tudo o que viveu fosse uma mentira. Ele não esperava que:

todas as coisas sensíveis que o abusador disse a seu respeito irão se tornar coisas horríveis a seu respeito.

tudo o que o abusador contou sobre si mesmo, sua história ou outros detalhes é uma mentira.

o propósito dele no relacionamento não seja amar e sim dominar e manipular psicologicamente de qualquer maneira.

tudo o que o abusado confiou a seu respeito será mais tarde usado contra a si mesmo.

O abusado depende a maior parte da sua energia emocional se esforçando para estabilizar o relacionamento com uma pessoa extremamente instável.

 

Vou continuar em um próximo post mais sobre a fase intermediária e o fim da dinâmica do relacionamento.

 

 

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Por que ir ao psicólogo?

Muitas pessoas adiam a ida ao psicólogo porque acreditam que este não seja o melhor caminho para elas. Isso se deve à falta de informação, pois infelizmente ainda existe o pré-conceito de que psicólogo é alguém com quem você apenas irá bater um papo e isso poderia ser feito com qualquer pessoa: amigos, familiares…

O problema é que muitas pessoas só vão se convencer de que é necessário buscar apoio psicológico quando a situação já se agravou e chegam aos consultórios esperando soluções milagrosas. Assim, não é raro vermos quem ainda associe psicoterapia como solução para “desequilíbrio” ou “loucura”.

Busca de autoconhecimento

O autoconhecimento é o grande benefício para quem faz psicoterapia. O indivíduo é levado a conhecer aspectos de si mesmo que, muitas vezes, sequer faz ideia. Começa a compreender a razão de determinadas atitudes, de certos sentimentos e situações que ocorrem em sua vida. Quando uma pessoa se conhece a fundo, ela consegue lidar melhor com as suas emoções e com o seu comportamento, consequentemente lida melhor com muitos acontecimentos em sua vida.

Sentimentos constantes de tristeza, ansiedade, estresse, raiva, desânimo

O excesso de desânimo, de estresse, os momentos de raiva constantes e a ansiedade… tudo isso pode ser levado para o consultório psicológico e, por meio de um processo psicoterapêutico, ser desenvolvida a sua capacidade de melhor compreender e lidar com as emoções.

Situações difíceis

Muitas vezes, quando estamos passando por uma situação complicada, parece que não conseguimos enxergar sozinhos uma solução. Procurar um psicólogo pode ser de grande valia, já que, além de ser alguém que está totalmente “de fora” do seu cotidiano, é também um profissional que vai dialogar com você de forma isenta de julgamentos e preconceitos, alguém com uma bagagem de estudos e com experiência para te mostrar soluções que pode ser que você não veja por si só.

Sentimento de culpa ou dificuldade de lidar com o passado

O sentimento de culpa ou mesmo o fato de alguém viver ligado ao seu passado é uma verdadeira pedra que trava todas as chances de caminhar para frente. Quando uma pessoa não consegue se perdoar ou perdoar os outros, uma “ferida” emocional fica sempre aberta, pronta para sangrar a qualquer momento e trazer à tona tudo que já deveria ter sido resolvido e não foi. Iniciar psicoterapia então será muito importante para que essas questões passadas sejam melhor elaboradas, superadas e não mais impeçam que se viva de maneira satisfatória.

Separações, lutos, perdas ou mudanças

É comum que diante de situações de grandes mudanças ou perdas, demoremos algum tempo para “digerir” tudo e retomarmos nossas vidas. O período de adaptação ou até mesmo o luto são normais e devem ser vividos para que os acontecimentos sejam bem elaborados. Não há um prazo determinado para que uma perda ou separação seja superada, isso é muito pessoal e depende de vários fatores, mas um psicólogo pode auxiliar muito neste processo.

Dificuldades de relacionamento

Relacionar-se não é uma tarefa fácil e todos nós, sem exceção, passamos por conflitos nesta área da vida. Seja o relacionamento amoroso, com a família, com amigos, colegas de trabalho… para todos eles levamos aspectos de nossa história e de nossa personalidade e às vezes isso se choca com aquilo que o outro também carrega como bagagem. Não é preciso ter grandes dificuldades ou aguardar, por exemplo, que se esteja à beira de uma separação conjugal para buscar o apoio psicológico (o que acontece na maioria dos casos), pelo contrário, é possível que a busca pelo psicólogo seja uma forma de desenvolver cada vez mais as habilidades de relacionamento e investir nesse aspecto.

Manias, medos, comportamentos alterados

É possível que os seus medos em excesso, comportamentos que você não tem conseguido controlar ou “manias” queiram lhe dizer que algo não vai bem. Comer de forma compulsiva, não conseguir para de comprar coisas, sentir medo de sair de casa ou de se relacionar com pessoas, chorar o tempo todo… são alguns exemplos destes comportamentos que merecem atenção. É claro que, por si só, não são sinônimos de transtornos, mas podem indicar o desenvolvimento de alguma patologia e um psicólogo com certeza poderá lhe ajudar a identificar isso.

Curiosidade ou vontade

Isso mesmo, você pode ir ao psicólogo simplesmente porque tem curiosidade ou vontade de fazer psicoterapia! É possível que você se surpreenda muito com esse encontro e que o processo te ajude a se desenvolver em muitos aspectos.

Prevenção

Hoje quase todo mundo já se convenceu da importância de se fazer exames médicos periódicos, ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos regularmente. São atitudes básicas que nos ajudam a prevenir doenças e ter uma qualidade de vida melhor. Estamos ainda quebrando barreiras quando falamos de prevenção em saúde mental, mas já existe uma evolução. O fato é que a saúde emocional é tão importante quanto a física, afinal, estão ligadas! Existem muitas pesquisas na área da psicossomática que indicam a influência das emoções em nossa saúde como um todo, incluindo o desenvolvimento de doenças e o tratamento e prevenção das mesmas. Nossa preocupação com a longevidade e boa qualidade de vida deve envolver um cuidado também psicológico e, neste sentido, é muito importante buscarmos a orientação profissional.

Existem ainda outros motivos para que você procure um psicólogo clínico ou mesmo de outras especialidades, pois a Psicologia está presente em muitas outras áreas, como a Jurídica, Social, Esportiva, Hospitalar, Organizacional… cada profissional tem objetivos diferentes em cada uma dessas áreas. É importante que saibamos que a Psicologia se faz cada vez mais presente em nosso cotidiano e não somente na clínica. Quanto mais conhecermos acerca de seu papel na sociedade, melhor entenderemos sobre sua contribuição para a nossa vida particularmente.

Por: Ane Caroline Janiro